O ACOMETIMENTO RENAL EM PACIENTES PORTADORES DE HAS

 

Hipertensão arterial - SBN

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é definida como a manutenção de níveis da pressão arterial acima de 140 mmHg na sistólica e 90 mmHg na diastólica, estando relacionada a fatores intrínsecos, como hereditariedade, sexo, idade e raça; e a fatores extrínsecos, como tabagismo, sedentarismo, obesidade, estresse, dislipidemia e dieta. Além disso, há aumento do risco de comorbidades, como infarto agudo do miocárdio, acidente vascular encefálico e insuficiência renal crônica.

Já a doença renal crônica (DRC), é uma lesão presente por um período igual ou superior a três meses, definida por anormalidades estruturais ou funcionais do rim, com ou sem diminuição da filtração glomerular (FG), evidenciada por anormalidades histopatológicas ou de marcadores de lesão renal, incluindo alterações sanguíneas ou urinárias, ou ainda de exames de imagem.

Hipertensão arterial sistêmica e função renal estão intimamente relacionadas, podendo a hipertensão ser tanto a causa como a consequência de uma doença renal. Nas formas maligna ou acelerada, a hipertensão pode determinar um quadro grave de lesão renal, de natureza microvascular, caracterizada por proliferação miointimal ou necrose fibrinóide, a nefrosclerose maligna. Esse quadro pode acarretar, com grande frequência e em pouco tempo, se a hipertensão não for tratada, um quadro de insuficiência renal crônica (IRC) terminal.

A hipertensão arterial (HA) está presente na maioria das doenças renais, principalmente nas glomerulopatias e na nefropatia diabética. A prevalência de hipertensão, determinada por ocasião da detecção da doença renal, aumenta progressivamente à medida que a função renal vai deteriorando, de tal forma que na fase terminal ou dialítica de IRC a quase totalidade dos nefropatas é hipertensa.

A prevalência de hipertensão arterial vem aumentando no Brasil ano após ano. Segundo as VI Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial, alguns fatores de risco são: idade, sexo/gênero e etnia, fatores socioeconômicos, ingestão de sal, excesso de peso e obesidade, ingestão de álcool, genética e sedentarismo, tabagismo e a não adesão ao tratamento.

O mecanismo de alteração da doença renal crônica relacionada à hipertensão consiste na nefroesclerose hipertensiva, decorrente de alterações hemodinâmicas (hiperfiltração e hipertrofia glomerular) que culminam em glomeruloesclerose.

São fatores de risco conhecidos para progressão da doença renal crônica: idade > 50 anos, sexo masculino, predisposição genética e história familiar, baixo nível socioeconômico, afrodescendência, dislipidemia, obesidade, diabetes, estilo de vida (dieta rica em sal e proteínas e fumo), e a duração e estágio da hipertensão arterial, intensidade da albuminúria, e grau de disfunção renal, uso de substâncias tóxicas aos rins, entre outros.

26 de abril – Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão - Grupo Mast

 Fonte: encurtador.com.br/jqFH4


O diagnóstico das doenças renais (nefropatias) está baseado na observação do comprometimento da função ou estrutura renal. A lesão renal proveniente da hipertensão arterial resulta em uma série de acometimentos que são analisados para chegar ao diagnóstico, por exemplo: albuminúria (perda de albumina na urina, indicando uma lesão estrutural dos rins) e redução da taxa de filtração glomerular (TFG), que aponta uma perda de função renal. Outras formas diagnósticas ocorrem pela identificação direta de danos estruturais, utilizando métodos de imagem em histopatologia, biópsia renal, ou achados cirúrgicos.

No início da doença renal crônica, os objetivos quanto ao tratamento passam por evitar ou retardar a progressão da insuficiência renal e também reduzir a morbilidade e mortalidade cardiovasculares, como infarto e acidente vascular encefálico. Desta forma, o tratamento anti-hipertensivo deverá ser coordenado com outras medidas terapêuticas, como o controle da diabetes e da dislipidemia, através da adoção de hábitos de vida saudáveis.

A redução do consumo de bebidas alcoólicas e deixar de fumar são medidas que devem ser tomadas. Outro ponto é a redução de peso aqueles que se encontram acima do seu índice de massa corpórea (IMC). Uma atividade física deve ser mantida com constância e não de forma esporádica, uma caminhada mais três vezes na semana com no mínimo 30 minutos de duração é uma opção.

A associação de fármacos anti-hipertensores é necessária para a maioria dos doentes. Todas as diferentes classes são efetivas, sendo muitas vezes necessário associar vários anti-hipertensores, para isso o acompanhamento com nefrologista de forma rotineira é essencial.

Fonte: encurtador.com.br/ntuCS



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