Nefropatia Diabética

 1. Conceito e Classificação

A nefropatia diabética (ND) ou doença renal do diabetes (DRD), é uma complicação crônica que acomete cerca de 35% dos pacientes com diabetes mellitus (DM). Por este motivo, a nefropatia diabética continua sendo a principal causa de doença renal crônica em pacientes em diálise. A DRD está associada ao aumento de mortalidade, principalmente relacionada à doença cardiovascular.
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Basicamente, a nefropatia diabética é classificada em estágios de gravidade de acordo com a quantidade de proteína que o rim doente não consegue segurar, e deixa escapar para a urina de maneira indevida. Dessa maneira, a anormalidade observada é o aumento da excreção urinária de albumina (EUA). Com base nos valores crescentes de EUA, a nefropatia diabética foi classificada em três fases: normoalbuminúria, microalbuminúria e macroalbuminúria (mais grave). Assim, pacientes com diabetes mellitus tipo 2 e valores elevados de EUA tem um maior risco de ter problemas cardiovasculares, renais e de mortalidade.

Mais precisamente, a nefropatia diabética se divide em 5 estágios, conforme avança de gravidade. É importante destacar que num primeiro momento, no estágio 1 há uma hiperfiltração, o rim aumenta sua filtração devido à sobrecarga de glicose, e com o tempo, vai sofrendo lesões em sua estrutura até o ponto que começa a perder proteína, cada vez em maior quantidade. Com o tempo, o rim também vai sofrendo prejuízo no seu funcionamento adequado, passando para um estágio de rim terminal.

2. Fisiopatologia

A nefropatia diabética inicia-se com a hiperfiltração glomerular, ou seja, aumento da taxa de filtração glomerular (TFG); a TFG normaliza-se com a lesão renal inicial e hipertensão leve, que se agrava ao longo do tempo. A seguir, observa-se microalbuminúria, excreção urinária de albumina com limites entre 30 e 300 mg de albumina/dia. Albumina urinária nessas concentrações é denominada microalbuminúria porque a detecção de proteinúria nas fitas de imersão no exame de urina de rotina necessita de > 300 mg de albumina/dia para ser detectada.

A microalbuminúria progride para macroalbuminúria (proteinúria > 300/dia com curso variável), geralmente ao longo dos anos. Síndrome nefrótica (proteinúria ≥ 3 g/dia) precede a doença renal em estágio terminal, em média, por cerca de 3 a 5 anos, mas esse estágio também é altamente variável.

3. Manifestações clínicas

A nefropatia diabética tem um desenvolvimento lento. Além disso, a identificação inicial da doença depende muito de exames laboratoriais. Dessa forma, o indivíduo passa pelas fases de hiperfiltração e microalbuminúria ao longo de anos, sem notar qualquer manifestação da nefropatia, pois nos estágios iniciais, ela é assintomática. Progressivamente, é possível notar: urina espumosa, edema, hipertensão arterial, manifestações da uremia em estágios mais tardios (náuseas, vômitos, anorexia).


4. Diagnóstico


É necessária a realização do diagnóstico precoce das possíveis alterações renais, para se evitar a instalação ou a sua evolução. O rastreamento da ND deve ter início logo após o diagnóstico de DM nos pacientes com DM2 e após cinco anos do início nos casos de DM1.

Sabe-se que 20% a 40% dos indivíduos com diabetes tipo 1 e 2 irão desenvolver disfunção renal, caracterizada pelo aparecimento progressivo de albumina na urina e diminuição na Taxa de Filtração Glomerular (TFG).

A dosagem de albumina é um método rápido e de baixo custo, realizado em uma amostra de urina isolada de 24 horas, devendo ser confirmada em duas medidas em um intervalo de até seis meses, devido à variabilidade diária da excreção urinária de albumina.

A excreção de albumina é dividida em estágios A1, A2 e A3, sendo normal (A1), elevada (A2) e muito elevada (A3).

Além da medida de albumina urinária no diagnóstico da ND, a creatinina no sangue deve ser avaliada, anualmente, para a estimativa da TFG, a qual é classificada em 5 estágios com níveis decrescentes de função renal. Ainda que esses índices sejam sugestivos de ND, alguns outros fatores devem ser levados em consideração, como presença de proteinúria na urina, sedimentos urinários, como cilindros hemáticos, leucocitários e acantócitos, e manifestações clínicas de outra doença sistêmica.

5. Tratamento

Para o paciente com nefropatia diabética o tratamento deve ser realizado de forma conjunta não apenas focando no rim que ele não sofra com a diminuição da taxa de filtração glomerular pela consequência da lesão renal. É preciso diminuir a eliminação de urinaria de albumina e reduzir o risco de eventos cardiovasculares. As principais condutas do tratamento são uso de medicamentos para um controle intenso e vigilante da pressão arterial deve ser seguido por esses pacientes, o acompanhamento do hipertenso pelo cardiologista é muito importante.

Hipertensão: Causas e Consequências | saúde in evidência

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O controle glicêmico pode ser realizado por medicação pelos hipoglicemiantes orais ou o uso da insulina. A intervenção na dieta precisa ser orientada por um profissional cuidado nas restrições proteicas altas, como o não consumo total de determinado alimento sem a compensação por outra fonte de vitaminas e minerais necessárias. Lipídios e colesterol também necessitam de monitorização, assim gorduras e eventualmente o uso de medicação como as estatinas são necessárias. O corte da ingesta de forma descontrolada de um alimento, assim como suplementação inadequada de vitaminas podem causar desajuste no organismo.

Sempre é válido a prática de atividade física de forma regular e direcionada ao seu grau de condicionamento físico ela diminui o risco cardiovascular, ele elevado aumenta a possibilidade de acidente vascular cerebral ou infarto. Além de melhorar os níveis de colesterol, auxilia no tratamento da hipertensão e diabetes os medicamentos ajudam nesse controle mas dieta adequada e atividade física são essenciais.

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Fonte: http://www.afrid.faefi.ufu.br/node/205


REFERÊNCIAS

MACIEL, Raysa Oliveira; VASCONCELOS, Marília Rabelo Sant Anna; ANDRADE, Claudia Roberta. Nefropatia diabética - incidência e fatores de risco associados. Brazilian Journal Of Health Review, [S.L.], v. 2, n. 4, p. 3808-3823, 2019. Brazilian Journal of Health Review. http://dx.doi.org/10.34119/bjhrv2n4-142.

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