Doença Renal e COVID-19

    Doença Renal e Covid-19: Tire suas dúvidas | Fundação Pró-Renal

Cenário atual do Covid-19

O atual cenário do Covid-19 no Brasil revela um total de 3.717.156 casos e 117.665 mortes em todo país, demonstrando que esses valores estão em uma crescente, o que reforça a necessidade de manutenção de medidas sanitárias. 

Já em âmbito mundial, são 24.011.502 casos e 821.909 mortes. Dessa forma, visto que a vacina para combate do Covid-19 ainda não é uma realidade, as autoridades têm estabelecido o distanciamento social, o isolamento social e a quarentena como formas de contenção da doença em virtude da quantidade de leitos de UTI (0,7% do total no país), necessários para o suporte dos pacientes mais graves. 

Doente renal crônico e a infecção pelo COVID-19


Os pacientes renais crônicos constituem um grupo amplo (os que ainda não precisam de tratamento dialítico, os que fazem alguma modalidade de diálise e os transplantados renais). Eles apresentam um risco maior de infecção por COVID-19 que a população geral, pois a doença renal causa uma desregulação da função imune explicando assim o aumento da gravidade e mortalidade pelo COVID-19 nesses pacientes. Nas infecções virais como é o caso o nosso organismo necessita do sistema imune apto para o combate ao agente invasor e também para o não desenvolvimento da forma grave da doença.

Como se proteger?


Até a data desta publicação, ainda não existe uma vacina disponível para prevenção da COVID-19. Por isso, é muito importante praticar medidas de proteção! Se atente a algumas recomendações básicas: evite tocar os olhos, a boca e o nariz sem higienização das mãos. Evite contato com pessoas doentes. Lave as mãos com água e sabão frequentemente. Caso não tenha acesso à água e sabão, higienize as mãos com produtos que contenham pelo menos 60% de álcool. Cubra a boca e o nariz ao espirrar ou tossir, fazendo uso de lenço descartável. Evite viagens não essenciais e aglomerações e fique em casa o máximo que puder. Caso tenha que sair, use uma máscara que cubra bem o nariz e a boca.

Recomenda-se a utilização de máscara aos pacientes e seus acompanhantes durante a permanência na unidade de diálise. Pacientes com suspeita ou confirmação de infecção por Covid-19 devem ser dialisados em quarto de isolamento ou em ala separada e no último turno.

Orientações ao paciente renal crônico com suspeita de COVID-19


Com o objetivo de evitar a contaminação pelo coronavírus, nos últimos dias vários alertas pedindo para a população permanecer em casa estão sendo emitidos, porém muitas pessoas não possuem essa opção, como é o caso dos pacientes portadores de doença renal crônica e outras condições crônicas graves que apresentam risco de comprometimento mais grave da COVID-19. Em caso de suspeita de contaminação, o paciente que apresentar sintomas (febre, tosse seca, dor de garganta, coriza, falta de ar) deve:

  • Comunicar imediatamente por telefone a unidade de diálise;

  • Procurar o Pronto Atendimento (PA) mais próximo de sua residência ou local recomendado pelo seu município para avaliação clínica e, conforme análise desse serviço, realizar ou não o teste de Coronavírus;

  • Manter-se em isolamento até o resultado do exame, comparecendo às sessões de hemodiálise mediante as orientações específicas da equipe multidisciplinar. Os locais da terapia dialítica estão preparados para oferecerem a segurança necessária a esses pacientes como o reforço da higienização das mãos entre os pacientes e seus familiares; a triagem no início das sessões de hemodiálise, identificando possíveis casos suspeitos; e o distanciamento de 1 metro entre as pessoas em locais fechados;

  • Evitar o uso de transporte coletivo para os deslocamentos às unidades de diálise;

  • Utilizar máscara;

  • Seguir as orientações universais de autocuidado e prevenção, evitar aglomerações, praticar o distanciamento social e a manutenção da aderência medicamentosa prescrita.

IRA e diálise na COVID-19


A COVID-19 pode agravar uma lesão renal aguda preexistente ou até mesmo desencadeá-la, inclusive até em adultos jovens e sem comorbidades. A diálise pode ser feita em casos mais severos, de maneira a reverter o quadro de IRA. Estudos de pacientes com COVID da cidade de Wuhan apontaram que cerca de 15% dos pacientes hospitalizados por COVID desenvolveram IRA. Essa taxa foi ainda maior para pacientes de internados em UTIs, chegando a 20%. A maioria dos pacientes com IRA relacionada a COVID-19 que se recuperaram, continuaram com uma função renal prejudicada mesmo depois da alta hospitalar. Nesses casos, é imprescindível o acompanhamento com o nefrologista após a recuperação da infecção, pois esses pacientes tem maiores chances de desenvolver uma futura doença renal crônica.

Além disso, é importante salientar que pessoas em tratamento dialítico, além de ter o combate a infecções prejudicado devido ao sistema imunológico menos eficiente, muitas vezes também combinam vários agravantes como idade avançada, desnutrição, doenças cardiovasculares, diabetes e doenças pulmonares, tornando-os ainda mais susceptíveis a formas graves da COVID-19. Dessa maneira é essencial redobrar os esforços para se evitar o contágio nessa população, adotando as devidas precauções recomendadas pela equipe de saúde enquanto continuam regularmente com seus tratamentos.



Referências:

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DELFINO, V. D. A.; NASCIMENTO, M. M.; NETO; BARROS, J. R. Informações para pacientes com doença renal crônica pré-dialítica sobre Covid-19 (infecção pelo SARS-CoV-2). Braz. J. Nephrol. (J. Bras. Nefrol.), p. 12-14, 2020. Disponível em: https://bjnephrology.org/wp-content/uploads/2020/08/v42n2s1a04_en.pdf

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